Segunda-feira, 23 de Julho de 2007

Detecção precoce da surdez

Teste neonatal poderá abrir caminho a uma recuperação mais fácil e efectiva



A realização de um teste para detectar a surdez profunda nos recém-nascidos pode ser a solução para a sua recuperação mais fácil e efectiva. Um estudo apresentado por Rui Nunes, ex-responsável pela ERS, refere que aquele teste poderia também poupar muitos recursos.
Rui Nunes, antigo responsável pela Entidade Reguladora da Saúde, preconiza a realização de um teste auditivo neonatal universal para detectar bebés com surdez profunda. “Se o teste for feito, como se faz com o teste do pezinho, o diagnóstico precoce permitirá uma recuperação muito mais fácil e efectiva”, disse Rui Nunes à margem da apresentação, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, de um estudo sobre a reabilitação da criança surda. “O processo não é dispendioso e permitirá ao Estado poupar os tratamentos onerosos e menos eficazes inerentes à detecção tardia da surdez profunda infantil, garantindo uma melhor inserção social das crianças”, sustentou.
Um estudo efectuado pela FMUP, através do seu serviço de Bioética, dirigido por Rui Nunes, com o apoio do Serviço Nacional de Reabilitação, concluiu que as crianças surdas que frequentam a escola normal estão em desvantagem face às que estudam em escolas especiais. “Esta conclusão aponta para a necessidade de uma revisão da política do Ministério da Saúde quanto aos exames neonatais e a urgência de apostar no ensino especial, mais eficaz no desenvolvimento daquelas crianças surdas, que nos últimos anos tem estado em declínio”, disse. O estudo abrangeu dois grupos de crianças surdas com idades entre seis e 12 anos, um no ensino normal e outro no ensino especial (língua gestual e língua portuguesa escrita).
Os resultados demonstraram que as crianças que frequentam as escolas normais apresentam piores resultados em termos de comunicação, integração social e capacidade associativa e cognitiva. Concluiu-se também que a falta de uma língua impede aquelas crianças de compreender o que as rodeia, comunicar eficazmente e socializar, comprometendo o seu desenvolvimento e potenciando a frustração e a ansiedade. Em contrapartida, à luz dos dados agora divulgados, crianças que são inseridas em escolas bilingues e dominam a língua gestual vivem mais calmas e mais seguras, estão mais aptas a explorar o meio e a estabelecer relações com os outros, desenvolvendo-se por isso mais eficientemente.
De acordo com Rui Nunes, os resultados obtidos pelas crianças do ensino bilingue são ainda mais evidentes naquelas que iniciaram a aprendizagem da língua gestual com três anos de idade ou menos, o que sublinha a necessidade de a aquele tipo de aprendizagem ocorrer o mais prematuramente possível. O sistema educativo nacional integra as crianças surdas nas escolas convencionais, apesar de elas não responderem às necessidades comunicativas dos alunos surdos. Rui Nunes propõe a criação de escolas próprias, que integrem surdos e ouvintes, mas que possuam ensino bilingue, que garantem resultados muito melhores para o desenvolvimento de crianças com surdez.

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Surdez à nascença
Factores genéticos
A surdez profunda atinge um em cada mil nascituros, devido a factores genéticos e à prematuridade. Em Portugal há 35 mil surdos profundos no seio de 135 mil afectados por deficiências auditivas. “São pessoas sem capacidade de reivindicação. Cabe-nos a nós intervir junto das autoridades”, disse Rui Nunes.

                                                                          Jornal  O Primeiro de Janeiro

                                                                                       23/07/2007

                                                                                                 

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publicado por palavrasnosilencio às 10:34

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"V Simpósio sobre Reabilitação da Criança Surda" 20-07-2007

Estudo demonstra que alunos surdos se desenvolvem melhor em escolas especiais

As crianças surdas que frequentam a escola normal estão em desvantagem relativamente às que estudam em escolas especiais, conclui um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) hoje divulgado.

O estudo abrangeu dois grupos de crianças surdas, com idades compreendidas entre os seis e os 12 anos, um integrado no ensino normal e o segundo com frequência no ensino bilingue (que aprende a língua gestual a par da língua portuguesa escrita).



A coordenadora do estudo, a psicóloga e investigadora da FMUP Ivone Duarte, referiu que "os resultados demonstraram que as crianças surdas que frequentam as escolas normais apresentam piores resultados ao nível da comunicação, integração social e capacidade associativa e cognitiva, quando comparadas com as integradas no ensino bilingue".

A investigadora concluiu que a falta de uma língua impede estas crianças de compreenderem o que as rodeia, de comunicarem eficazmente e de socializar, o que compromete o seu desenvolvimento e as pode deixar frustradas e ansiosas. Em contrapartida, as crianças inseridas em escolas bilingues, e que dominam a língua gestual, vivem mais calmas e mais seguras, estão mais aptas a explorar o meio e a estabelecer relações com os outros e, por isso, desenvolvem-se mais eficientemente.

O estudo conclui que
"os resultados positivos obtidos pelas crianças com acesso ao ensino bilingue são ainda mais evidentes nas que iniciaram a aprendizagem da língua gestual com três anos ou menos, o que sublinha a necessidade de que a aprendizagem desta língua ocorra o mais prematuramente possível".

"Isso exige a implementação do rastreio de surdez neonatal em todos os hospitais e maternidades, o que permitirá identificar e encaminhar devidamente os bebés com deficiência auditiva", defendeu a investigadora. O sistema educativo português integra as crianças surdas nas escolas convencionais, apesar destas não responderem às necessidades comunicativas dos alunos surdos.

Ivone Duarte propõe que se criem escolas próprias, que integrem surdos e ouvintes, mas que possuam ensino bilingue. "As crianças surdas não têm qualquer necessidade de currículos alternativos ou adaptados, bastando-lhes o acesso a uma língua que lhes permita apreender o mundo e desenvolverem-se plenamente", afirmou.

No âmbito das investigações levadas a cabo pela FMUP relativamente à problemática da surdez, o Serviço de Bioética da Faculdade organiza amanhã o "V Simpósio sobre Reabilitação da Criança Surda".

 

                                                                                           Ciência Hoje

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publicado por palavrasnosilencio às 10:18

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